Antro reservado para publicação de radioativos, contagiosos e extremamente instáveis experimentos de POESIA VISUAL.
Ps.: O Poematômico pode explodir ao mais leve suspiro, movimento ou clique.
Vlade
Voxman vive aquém do espaço-tempo vigente. Não se enquadra em
astrologias estapafúrdias e não explode ao entrar em contato com
cérebros inflamáveis. Está morto a dois milhões de anos, mas
isso não parece lhe incomodar.
Obra:
o trabalho de Vlade Voxman envolve as periferias da Poesia
Visual. O Poematômico é tão Concreto quanto gostaria de
ser verbivocovisual — como conceituaram os irmãos Campos
— mas não o é por sua capacidade financeira ter sido esmagada
pela bolha capitalista. Seu trabalho pode ser reconhecido como
poesia visual, concreta, surreal, política, poema-charge ou,
simplesmente, poematômico e é publicado tanto no site O
Vebonauta quanto
neste blog estranhamente esverdeado.
Eu pessoalmente gostei muito do que fiz com o 'Brazil'. Por outro lado, talvez seja um tanto óbvio demais para ser explicado, ao menos, nas partes óbvias (desculpem-me a redundância). Mas enfim... basicamente, fiz um jogo com as palavras "Ordem e Progresso", contrapondo-as com outras antagônicas e, aos poucos, tentei progressivamente desordenar a ordem e o progresso. O pano de fundo com as cores verde e amarela servem como símbolo da hipocrisia do nosso conceito de pátria, sob as burocráticas letras em verso escritas sobre este.
Progressivamente, perdemos completamente até mesmo nossa linguagem até chegarmos ao conclusivo "ALIENAÇÃO", termo no qual fiz uso do recurso da interpretação múltipla (ou, como gosto de chamar de forma orwelliana, duplipensar!), podendo ser lido como "ALIENAÇÃO", "ALIEN NAÇÃO" e "ALIENA NAÇÃO".
E como bem interpretou também o editor do Verbonauta.com.br, Marcelo Scarabuci, "O Brazil com Z tende a dar errado"..
A idéia aqui obviamente é a crítica aos pseudo-conceitos iluministas de "Liberdade", "Igualdade" e "Fraternidade". Penso que a forma com que expus esta idéia no Democracia dá espaço a diversas diferentes leituras devido às várias idéias embutidas nele. Por exemplo, o isolamento das letras, as microssignificantes, contrapõe-se às pressupostas idéias de união relacionadas a tal democracia iluminista. Além disso, o fato de essas letras não estarem sequer no centro de suas microcélulas passa uma impressão de desconforto destas com relação ao sistema em que se encontram. Fica claro que pensei nas tais letras como forma de representar as pessoas, o povo em geral. E há diversas outras leituras que podem ser feitas, às quais prefiro, como sempre, deixar ao leitor. Recuso-me a dizer mais.
13:52
Mais uma vez, obviamente, uma crítica ao capital. Tentei fazer um jogo de palavras com as frases 'O Capital não Termina' e 'O Capital é Terminal'. Com a divisão não-silábica dessas frases encontrei alguns microssignificantes análogos que contribuem, digamos, subliminarmente ao texto. Na primeira frase, surge o microtermo 'NÃO TER', relativo ao capital. Na segunda, alinhado na mesma reta imaginária de 'NÃO TER', temos 'É TER', que TAMBÉM pode ser entendido como 'ÉTER'. Forma-se então uma nova relação, além da explícita inicialmente, que seria: "Capital é Não Ter. Capital é Ter." E por fim, a pequena metáfora com ÉTER, o mágico, sublime e utópico ÉTER... ou É TER.
Recuso-me a dizer mais.
Ps.: Bem, tenho visto que tem havido de fato algum interesse dos nossos leitores em ler estes comentários meus sobre o que faço. Gostaria muito que estes que vem até aqui também postassem seus comentários sobre esses 'poemas', ou 'charges', ou 'poema-charges', ou 'poesias visuais'.. ou como bem definimos no Verbonauta, 'poematômicos'. Afinal, é uma experiência nova — eis o motivo de eu fazer questão de comentar e explicar o que estou fazendo — e qualquer retorno de vocês é muito bem vindo.
19:49
Pois bem, seguindo com a idéia do "poema-charge", o S.I.G.L.A.S. é, obviamente, uma crítica à opressão do sistema sobre o trabalhador. Em resumo, a idéia é: os impostos sistemáticos são empilhados, um em cima do outro, enquanto o trabalhador, deslocado e, repare, fora da ordem dos impostos a qual este não pertence (Sistema x Ser Humano) é reduzido e obscurecido até tornar-se, simplesmente, DOR, sendo esta última um microssignificante retirado do significante "TRABALHADOR". Mas a própria dor é parte do sistema; a própria dor é burocrática. Então não há DOR, mas sim, D.O.R., siglificada como qualquer outra parte deste sistema e que, para não atrapalhar, ele mesmo se encarrega de abreviá-la em forma de sigla evitando até mesmo que esta seja exprimida por inteiro. É mais ou menos por aí...
01:45
Bom, aqui eu devo comentar os poemas que iremos publicando semanalmente. O primeiro é — coincidência? — o Poematomico. Na realidade, não era a intenção publicar este como o primeiro da página mas, devido a escolha do nome Poematômico para denominar a seção do Verbonauta.com.br que deu origem ao blog homônimo, pareceu-me bastante propício.
Aos que conhecem um pouco de poesia concreta, logo fizeram uma relação entre este e o Poema-Bomba de Augusto de Campos. Realmente, são idéias que lembram bem uma a outra, mas também nem tanto... bom, não vou explicar muito a idéia senão perde a graça. Apenas direi que o poema trata de diversas perspectivas diferentes, desde a questão política até a filosófica. É a bomba atômica que explode a poesia, a existência.. enfim. Procurei usar um efeito de movimento nas letras, algo que pouco vi em outras obras... penso ser um recurso gráfico interessante pois perturba os olhos do leitor, o que é muito importante neste caso específico.
Ah, aos mais desatentos, reparem na colocação das letras.. facilmente poderão encontrar a formação da expressão "Ato Mico":
A
T
O
MICO
E por aí vai... nas próximas publicações teremos algo que se assemelhará com uma série de "poemas-charges", o que é a idéia desde o início. Vamos ver no que dá...
01:59
Delírios
guturais
Apresento-me. Sou Vlade Voxman, poetatômico de vários versos neste universo. Aos que acreditarem nisso, bom.
Enfim, o projeto do Poematômico na realidade teve início dentro do portal O VERBONAUTA, onde tenho publicações minhas todas as segundas e quintas-feiras (geralmente, as melhores e/ou mais politizadas.
Querem entender melhor?
Bom, o Poematômico é um Blog destinado especialmente a exposição de Poesia Visual. Baseado nos conceitos da Poesia Concreta de Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Millôr Fernandes e tantos outros mestres da nova poesia brasileira, o Poematômico explora a poesia tanto semanticamente quanto visualmente e, quem sabe um dia - se os recursos me permitirem -, também fonicamente.
Para compreender melhor o que é a Poesia Visual, confira algumas das mais famosas obras clicando nos links abaixo:
Bem, sempre que puder, estarei publicando alguns poematômicos por aqui (obviamente, ou isto não seria o blog do Poematômico). Colocarei alguns comentários para explicar melhor as idéias, mas sem muitos detalhes para não entregar o jogo.
Ps.: A Poematomia é um universo completamente novo para muitos. Ter acesso a um poematômico, além de perigoso, pode ser fatal. Porém, nos casos não fatais, tal conhecimento pode vir até a metamorfosear completamente a mente do leitor menos (ou mais) atento.
01:40